sábado, 17 de julho de 2010

"A vida é maravilhosa, mesmo quando dolorida. Eu gostaria que na correria da época atual a gente pudesse se permitir, criar, uma pequena ilha de contemplação, de autocontemplação, de onde se pudesse ver melhor todas as coisas: com mais generosidade, mais otimismo, mais respeito, mais silêncio, mais prazer. Mais senso da própria dignidade, não importando idade, dinheiro, cor, posição, crença. Não importando nada."

LYA LUFT
In:"O ponto cego"

Temos dificuldade em lidar com silêncio: ele ressoa mal no vazio do nosso interior..."
"...silêncio não precisa ser um corte: pode ser nossa melhor maneira de falar..."
"Calar pode ser um bom exercício para nossa mente aflita de tantas informações, paralisada entre tantas escolhas, dilacerada em transformações vertiginosas como as deste tempo nosso.
Pensar sobre nós e nossa vida é um exercício: o q eu realmente desejaria ser, e o q posso fazer?..."
"...ouvir...a consciência q fala ao nosso coração - quando ele está atento."

(Lya Luft -
Em outras palavras)

sábado, 10 de julho de 2010

"Estar bem e feliz é uma questão de escolha e não de sorte ou mero acaso. É estar perto das pessoas que amamos, que nos fazem bem e que nos querem bem. É saber evitar tudo aquilo que nos incomoda ou faz mal, não hesitando em usar o bom senso, a maturidade obtida com experiências passadas ou mesmo nossa sensibilidade para isso. É distanciar-se de falsidade, inveja e mentiras. Evitar sentimentos corrosivos como o rancor, a raiva, e as mágoas que nos tiram noites de sono e em nada afetam as pessoas responsáveis por causá-los. É valorizar as palavras verdadeiras e os sentimentos sinceros que a nós são destinados. E saber ignorar, de forma mais fina e elegante possível, aqueles que dizem as coisas da boca para fora ou cujas palavras e caráter nunca valeram um milésimo do tempo que você perdeu ao escutá-las."

terça-feira, 6 de julho de 2010


"O amor não acaba. O amor apenas sai do centro das nossas atenções. O tempo desenvolve nossas defesas, nos oferece outras possibilidades e a gente avança porque é da natureza humana avançar. Não é o sentimento que se esgota, somos nós que ficamos esgotados de sofrer, ou esgotados de esperar, ou esgotados da mesmice. Paixão termina, amor não. Amor é aquilo que a gente deixa ocupar todos os nossos espaços, enquanto for bem-vindo, e que transferimos para o quartinho dos fundos quando não funciona mais, mas que nunca expulsamos definitivamente de casa."



“… Então, minha querida Amélie…você não tem ossos de vidro. Pode suportar os baques da vida.
Se deixar passar essa chance…então, com o tempo seu coração ficará tão seco e quebradiço quanto o meu esqueleto.
Então, vá em frente, pelo amor de Deus.”

-do filme, O Fabuloso Destino de Amélie Poulain.

Parecia muito fácil matar-me em um acesso de desespero. Era bastante fácil fazer-me de mártir. Mais difícil era não fazer nada. Suportar a vida. Esperar".

(
Medo de voar, Erica Jong, p. 296)

É fácil morrer. A toda hora, em todos os lugares, a morte está se oferecendo. Mais difícil é continuar vivendo. Eu continuo. Não sei se gosto, mas tenho uma curiosidade imensa pelo que vai me acontecer, pelas pessoas que vou conhecer, por tudo que vou dizer e fazer e ainda não sei o que será.

Minha loucura deu a volta na esquina
seguiu todos os passos da normalidade
até que entrou num prédio alto e se aquietou lá em cima
a normalidade ficou vigiando a quadra
ao mesmo tempo porteira e inquilina


Cartas extraviadas-Martha Medeiros*



Comprei um Box da Martha com 5 livros simplesmente fantásticos!Valeu muito a pena,ela escreve com a alma.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Espera aí


Todo mundo odeia esperar, mas quando algo bom acontece a primeira coisa que a gente faz é esperar que aconteça de novo; quando é ruim, a gente espera que não aconteça.
Os otimistas, quando não tem o que esperar, esperam por coisas boas. Os pessimistas, esperam pelo pior. Os realistas, esperam pelo acontecimento mais evidente.
Aqueles que não esperam, só fingem, pois com certeza estão esperando por algo que decididamente não irá acontecer. E o que a gente faz? Espera só mais pouquinho...

Débora Paixão


*Achei lindo os textos da Débora.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Quanto ao resto, sinto-me aqui perfeitamente bem. A solidão, neste verdadeiro paraíso, é um bálsamo para o meu coração sempre fremente, que transborda ao calor exuberante da primavera.
Cada árvore, cada sebe forma um tufo de flores, e a gente tem vontade de transformar-se em abelha para flutuar neste oceano de perfumes e deles fazer o unico alimento.


Goethe, "Os sofrimentos do jovem Werther"

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Você não brinca com uma criança ou colore uma figura com ela para mostrar sua superioridade. Pelo contrário, você escolhe se limitar para facilitar e honrar o relacionamento. Você é capaz de perder uma competição como um ato de amor. Isso não tem nada a ver com ganhar ou perder, e sim com amor e respeito :)

[ A Cabana ]


-Amor e respeito,fundamental!


...mas estou aqui parada, bêbada, pateta e ridícula, só porque no meio desse lixo todo procuro o verdadeiro amor. Cuidado comigo: um dia encontro.
(Dama da noite - Caio Fernando Abreu


Eu tenho sede de ouvir todas as músicas, ler todos os livros, conhecer todos os lugares. Fome do mundo e de gente. E essa é a sensação mais nova na minha vida, em anos. Essa vontade toda de fazer o que eu não fiz antes, de ser quem eu nunca pensei que seria. Um querer surreal de crescer. Mas eu também sinto medo. Medo de pular pra fora da bolha. De pegar no volante do carro, e assim, assumir de vez que sou adulta. Medo de toda as novas chances, novas possibilidades. Medo até do que nem chegou ainda. Medo de quem me olha, e de quem não olha também. E, principalmente, muito medo dessa sensação de ter, mais uma vez, o coração aberto pra jogo. Aberto pro que (quem) quer que venha, seja isso bom ou ruim.
E no meio de tanta duvida, tanta vontade e tanta novidade, pesadelos terriveis... Que me predem lá tras e me assustam. Repito pra mim que é só mais um teste da vida. Que pra ver se eu tô pronta pra andar pra frente, ela me joga lembranças de lá tras. Mas eu tô. Eu sei que tô. E, além do mais, isso são só pesadelos. Não tem nada de vida real nisso. Por mais que eu tenha comparado a vida real a um pesadelo, por diversas vezes, ela é muito melhor que tanto fogo, tanta dor e agonia.
E só isso que eu tenho. A vida. Com tudo que ela pode me dar. Superar, encarar, andar pra frente e me deixar levar por todas as nova coisas, é só uma opção. A melhor delas, mas ainda assim, não a unica. Ainda que seja a que eu escolhi. Doer é consequência do processo. Ser feliz, um dia, é resultado dele.

Jessica Martins

-Achei que a Jessica falou tudo e mais um pouco sobre o que eu penso de mim.
Foto:Eu

segunda-feira, 21 de junho de 2010


“Porque ainda está para nascer o primeiro homem desprovido daquela segunda pele a que chamamos egoísmo, muito mais dura que a primeira, que a tudo sangra.” (Ensaio sobre a cegueira) - José Saramago










Um\ breve homenagem para aquele que nós deixou em carne,pois sua memória viverá pra sempre em nós.

quarta-feira, 16 de junho de 2010


Certo - muitas ilusões dançaram. Mas eu me recuso a descrer absolutamente de tudo. Eu faço força pra manter algumas esperanças acesas - como velas.


Acho que eu digo tantas bobagens porque sei mesmo que no final de tudo a gente não vai se perder. As minhas palavras são ásperas porque as minha emoções oscilam, mas é tudo só medo de te perder por algum motivo dessa vida e acabar tendo que me esconder nas minhas mentiras de novo pra, de novo, tentar encarar o sol sem ter você. É por isso que eu sempre seguro sua mão com força, é por isso que meu abraço às vezes te sufoca e que meu coração grita tão alto que te envergonha. A verdade é que eu tinha muitas teorias de liberdade e independência, mas é verdade também que eu, antes de tudo isso, nunca tinha entendido o que era mesmo o amor nessa vida.

[Rani Ghazzaoui]

"Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem da minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouca me importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não é um estado da alma e sim um signo do zodíaco."

Gabriel Gárcia Marques - Memórias de minhas putas tristes (pág 74)
''- Não há o que lhe esconder - disse me ela, oferecendo-me a mão para fazer a promenade. Albert, um moço honrado, é meu noivo.
Isso não era novidade para mim, pois, durante o trajeto, as outras moças me haviam contado; contudo, tal revelação abalou-me como se fosse algo totalmente inesperado, já que eu ainda não o havia associado a ela, que em tão curto espaço de tempo se me tornou tão importante. ''

Os Sofrimentos do Jovem Werther - Goethe

segunda-feira, 14 de junho de 2010


" Eu sou sim a pessoa que some, que surta, que vai embora, que aparece do nada, que fica porque quer, que odeia a falta de oxigênio das obrigações, que encurta uma conversa besta, que estende um bom drama, que diz o que ninguém espera e salva uma noite, que estraga uma semana só pelo prazer de ser má e tirar as correntes da cobrança do meu peito. Que acha todo mundo meio feio, meio bobo, meio burro, meio perdido, meio sem alma, meio de plástico, meia bomba. E espera impaciente ser salva por uma metade meio interessante que me tire finalmente essa sensação de perna manca quando ando sozinha por aí, maldizendo a tudo e a todos. Eu só queria ser legal, ser boa, ser leve. Mas dá realmente pra ser assim? "

[ Tati Bernardi ]